Cia de Teatro de Jundiaí

Cia. de Teatro de Jundiaí

A Cia de Teatro de Jundiaí, formada por seis atores profissionais, conta com a direção de Angelo Brandini e tem como propostas valorizar, estimular e aprimorar artisticamente profissionais da área teatral da cidade, além de desenvolver mecanismos de formação de público, aproximando o teatro de todo o cidadão, estimulando o gosto pela arte e aflorando a curiosidade em relação às artes cênicas.

Na temporada 2014/2015, a Cia apresentou-se com a comédia “Senhor Dodói”, livremente inspirada em “O Doente Imaginário” de Molière, que através de técnicas de Comédia Dell’Arte, palhaço e música, foi levada à inúmeros espaços da cidade, totalizando 140 apresentações e atingindo 30.000 espectadores.

Temporada 2017

Nesta temporada, Cia. Municipal de Teatro de Jundiaí estreia um novo espetáculo, voltado principalmente para o público jovem que, em sua maioria, não tem o hábito de frequentar as salas de espetáculo. Serão 50 apresentações, em palcos tradicionais e locais alternativos, no centro e nos bairros, todas gratuitas.

O intuito é levar arte de qualidade para todos os cantos da cidade, difundindo o teatro e provando o quando assistir a um bom espetáculo teatral pode ser divertido e encantador. Pode fazer rir, refletir e chorar. Pode transformar!

Agendamento

As sessões do espetáculo devem ser agendadas previamente com a Catarsis Produções, através dos telefones: 11 4216-4232 / 11 97204-6013 ou e-mail: anapaula@catarsis.com.br.

Período: a partir de março de 2017
Dias e horários: de terça a domingo – manhã, tarde ou noite
Faixa etária indicada: a partir 10 anos
Espaço mínimo necessário para montagem: Boca de cena – mín. 8mt / máx. 10mt / Fundo palco – mín. 5mt

Comédia Sem Título
(
De Martins Pena)

Comédia Sem Título é a última comédia de Martins Pena, escrita em 1847, e traça um retrato da sociedade livre, branca e mestiça do Rio de Janeiro do século XIX. Uma sociedade marcada pela hipocrisia e pelo falso moralismo, que mostra o embrião do que seriam os valores e práticas de uma cultura urbana que determinaria o ideário do Brasil nos anos por vir.

Nesta montagem da Cia. de Teatro de Jundiaí, onde a farsa, o quiprocró e o melodrama são amplamente realçados, queremos refletir juntamente com os espectadores a ideia de que muito pouco se avançou no que diz respeito à essência do pensamento que rege as relações de poder e interpessoais daquela época se comparado aos dias de hoje no Brasil.

O resultado é uma montagem ágil e divertida, onde a música e o humor servem como caminho para a reflexão.

Sinopse

A história é conduzida por Carlos Lima, um típico malandro carioca, amante dos jogos de azar, dos bailes de máscaras, casas de prostituição e pouco afeito ao trabalho, que abandonou a esposa Julia com a desculpa de ir em busca de fortuna com a promessa de regressar assim que conseguisse, porém nunca mais voltou. Julia que há muito não tem notícia do marido, vive cercada por pretendentes, mas se mantém fiel na esperança de que ele volte.

Numa de suas fugas da polícia ele, sem querer, esconde-se justamente na casa do tio da esposa, um temido meirinho (policial) que tem uma ordem de prisão contra ele e onde, coincidentemente, ela está hospedada. Os dois se encontram e Julia tenta proteger o marido.

O tio, por sua vez, também está metido numa farsa, já que também abandonou a mulher porque está interessado na costureira da casa e a engana, dizendo que é solteiro.

O que se segue é uma sucessão de mal entendidos e desencontros até ao ponto em que Carlos Lima descobre a farsa do tio e a usa como moeda de troca para retirar a ordem de prisão contra ele.

Ficha Técnica

Texto: Martins Pena
Adaptação e Direção: Angelo Brandini
Música Original: Chiquinha Gonzaga
Trilha Composta e Direção Musical: Fernando Escrich
Assistente de Direção: Claudio de Albuquerque
Cenário e Figurinos: Edivaldo Zanotti e Juliana Fernandes
Iluminação: Rodrigo Gatera
Equipe de Produção: Ana Paula Castro e Vladimir Camargo
Elenco: André Saboya, Paulo Eduardo Rosa, Natalia Ruggiero, Teófila Lima, Lukas Lima e Joyce Souza
Realização: Secretaria Municipal de Cultura / Prefeitura do Município de Jundiaí

O autor

Martins Pena traçou com suas comédias um amplo quadro da sociedade livre, branca e mestiça, das suas hipocrisias, de sua moral frouxa e dos seus sonhos. Enfrentou as dificuldades que se anunciavam para a manutenção da família patriarcal com uma postura liberal e individualista. Representou a nacionalidade como movida pelo princípio do prazer.

O elemento popular surge bastante expurgado de seus componentes africanos, pela dificuldade de se relacionar com a escravidão. Mas nas frestas Martins Pena passou um pouco também do conflito básico que opunha brancos e negros. Nesse quadro aparecem em gestação valores e práticas de uma cultura urbana carioca que marcarão o ideário da nação nos anos por vir: as festas, os ritmos, os tipos, as sensibilidades. Às vezes, Pena opõe cultura rural e citadina, mas sempre tendo a última como a referência maior que acabaria por se impor.

Ao final de A família e a festa da roça, quando numa festa do Divino alguns rapazes da cidade fazem troça dos caipiras, um lavrador dá o grito de guerra: “Ensinemos a estes capadócios!” O capadócio, o malandro urbano, capoeira, evidentemente calcado em valores herdados da cultura africana no Brasil, estava fazendo sua entrada nos palcos. Era preciso esperar as cenas cômicas do ator Vasques para que ele ganhasse mais destaque.

A obra cômica de Luiz Carlos Martins Pena (1815-1848) apresenta um variado painel da sociedade do Rio de Janeiro de seu tempo, com um olhar sensível para a realidade vivida pela população livre, pobre ou remediada, branca ou mestiça.

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