Chaminé da Argos

Patrimônio Material: Chaminé da Antiga Fábrica da Argos Industrial S/A
Tombado por: Via Projeto de Lei do Poder Legislativo Municipal
Localização: Av. Dr. Cavalcanti, 396, Centro – Jundiaí
Número do Processo: Lei nº 3629/1990

Parecer de tombamento

Art 1º Considerada patrimônio histórico a chaminé da antiga fábrica Argos S/A;
Parágrafo único – a Prefeitura Municipal proverá a preservação da edificação referida no artigo;

Art 2° Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação.

Justificativa

A história da fiação e tecelagem Argos confunde-se com a história de muitas famílias jundiaienses e com a história da indústria têxtil local e nacional, neste século.

Da labuta de seus operários – homens e mulheres, jovens então e hoje anciãos, encanecidos pelo tempo depositários de lembranças acumuladas entre as suas máquinas -, produzia a Argos para os mercados interno e externo: seus brins vestiam a todos, até mesmo nas Forças Armadas. Ao chamado de apito da fábrica, legiões de trabalhadores deixavam suas casas rumo à Argos (e as outras fábricas também, já que o apito da Argos tornara-se tradição de pontualidade para toda a cidade).

Desativada a fábrica, falida a empresa, resta ainda importante conjunto de prédios (adquiridos pelo Município) e, em seu meio, a vistosa chaminé – obra de mais de setenta anos de idade e de quase quinze metros de altura, a simbolizar grandeza do trabalhador e da indústria jundiaienses.

Histórico

Localizada na Avenida Dr. Cavalcanti, a Argos Industrial foi fundada no dia 27 de fevereiro de 1913, sob a denominação de Sociedade Industrial Jundiaiense. No mesmo ano, o nome foi alterado para Sociedade Argos Industrial. Entre 1917 e 1927, foram realizadas novas alterações na razão social: 1917 – Manufatura Italiana de Tecidos S.A.; 1919 – Trevisoli Borin & Cia Ltda.; 1925 – Manufatura Italiana de Tecidos S.A.; 1927 -Argos Industrial S.A., denominação que permaneceu até 1984.

Durante muitos anos a tecelagem foi o carro-chefe da produção, e mesmo com a modernização da confecção não deixou de se mostrar inovadora. A Argos produziu gabardines (tipo de tecido) de primeira linha e o famoso verde-oliva para vestir o Exército. Administrada por Estevão Kiss durante 17 anos, a Argos cresceu; além de usar produções próprias de algodão, a empresa ainda comprava das cidades vizinhas. A plantação de eucalipto, no antigo brejo ao lado da fábrica, tinha como objetivo secar o solo e, na idade adulta, alimentar as caldeiras.

No início da década de 1980, a empresa foi decaindo em função de crises. Com a falência, a Argos fechou as portas e demitiu os funcionários, pondo fim num império industrial. Hoje, o local abriga o Complexo Argos, destinado à formação e capacitação de professores da rede municipal de ensino, a Secretaria Municipal de Educação, a Televisão Educativa de Jundiaí (TVE), o Instituto Federal de Jundiaí, a Biblioteca Nelson Foot e outros aparelhos públicos que dão nova vida à estrutura.

A Chaminé marca a relação entre passado e presente, pois, ao usufruir dos serviços dispostos no Complexo Argos – o cidadão encontrará na estrutura, o traço marcante do início da industrialização em Jundiaí. As famílias poderão saudar seus antepassados, assim como os ex- funcionários que poderão se empoderar daquilo que lhe é patrimônio da construção do trabalho do povo jundiaiense.

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