Sede da Fazenda Ermida

Patrimônio Material: Sede da Fazenda Ermida
Tombado por: COMPAC (Processo nº 15777-7/2008)
Localização: Av. Antônio Pincinato, 7200, Quarto Centenário – Jundiaí
Número do Processo: Decreto nº 21650 /2009

Parecer de tombamento

Considerando que se trata de conjunto arquitetônico típico das fazendas cafeeiras do século XIX, que guarda uma importante parte da história da origem da colonização e progresso econômico do município de Jundiaí, fica registrado neste Livro do Tombo, às fls 001, o tombamento municipal do bem imóvel Sede da Fazenda Ermida, Decreto nº 21650, de 06 de abril de 2009, reconhecida como patrimônio cultural de Jundiaí, a qual integra o Inventário de Proteção do Patrimônio Artístico e Cultural de Jundiaí – IPPAC, e conforme dispõe a Lei Complementar nº 443, de 14 de agosto de 2007, o Processo Administrativo nº 15777-7/2008, e o pronunciamento favorável do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Jundiaí. Registramos, também, que, fica protegida, nos termos do art. 13 § 4º, da Lei Complementar nº 443, a área de entorno do bem tombado de que trata o art. 1º do referido Decreto de Tombamento, delimitada na planta constante do anexo II, que faz parte integrante do Decreto. Quaisquer intervenções físicas a serem realizadas no bem tombado ou na área de entorno de proteção, deverão ser previamente aprovadas pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Jundiaí, em conformidade com o disposto no art. 13, § § 2º e 5º, da Lei Complementar nº 443. Registrado no Livro do Tombo aos vinte e sete dias do mês de maio de dois mil e nove e assinado pela PMJ e COMPAC.

Histórico

A Casa Sede da Fazenda Ermida, destaque do conjunto arquitetônico, construída parcialmente em alvenaria de tijolo maciço, de terra cozida e cujo embasamento é em pedra, com paredes externas em taipa de pilão, localizada entre a Serra do Japi e o Rio Jundiaí, guarda uma importante parte da história das origens da colonização e progresso econômico de Jundiaí, São Paulo, edificada no último quartil do final do século XIX e remodelada no início do século XX, quando de sua aquisição pelo Dr. Eloy de Miranda Chaves, em 05 de outubro de 1905.

Exemplar típico da chamada “arquitetura do café, especialistas definem como aquela patrocinada pelos recursos advindos da produção em larga escala do ouro-verde, no linguajar dos fazendeiros e agentes financeiros. O café trouxe para o sudoeste brasileiro novos programas, não só nas fazendas, agora altamente racionalizadas, mas também nas cidades, quando surgiram as instalações das estradas de ferro, os armazéns para a sacaria, os bancos e casas bancárias, os edifícios para escritórios e, sobretudo, o palacete, onde se aprendeu a “morar à francesa”; a mão de obra escrava era usada em larga escala.

Atrás dos novos programas, vieram novos materiais de construção capitaneados pelo tijolo; após a proibição da escravidão, o imigrante começa a substituir o escravo; novas expectativas de vida e também a nova estética englobada pelo multifacetado ecletismo. A arquitetura do café teve início com o neoclássico histórico de Napoleão; usou plenamente o neo-renascimento trazido pelos arquitetos recém-chegados e principalmente por Ramos de Azevedo; adotou o neocolonial e chegou até a experimentar o art-déco, o estilo dos finais da década de 20 do século passado, pois o nosso período de estudo termina justamente em 1930, quando a crise financeira do ano anterior derrubou a hegemonia cafeeira para dar lugar à indústria que ela mesma ajudou a crescer.

Contudo, a origem das primeiras construções da propriedade é de um período anterior. Há vestígios de uma construção do séc. XVIII, integrante de um extinto engenho de cana de açúcar. A rápida transformação do senhor de engenho em fazendeiro de café é responsável pela ausência de vestígios dos engenhos no chamado quadrilátero do açúcar (Itu, Campinas, Piracicaba e Jundiaí). Em Jundiaí o açúcar, a aguardente e o toucinho eram os principais gêneros produzidos e em 1854 existiam 19 fazendas produzindo 20.000 arrobas de açúcar.

Texto Histórico Ermida – maio de 2011

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