Bloco Carnavalesco Refogado do Sandi

Patrimônio Imaterial: Bloco Carnavalesco Refogado do Sandi
Registrado por: Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Jundiaí (COMPAC)
Localização: N/A
Número do Processo: 30.416-8/2015-1

Parecer:

O referido bem foi inscrito no Livro de Registro dos Saberes e das Celebrações, volume nº 01, fl.002, nº de inscrição 01/2016.

Amparo legal: Lei Complementar Municipal nº 443, de 17 de agosto de 2007, alterada pela Lei Complementar nº564, de 18 de setembro de 2015.

Histórico

O Bloco Carnavalesco Refogado do Sandi é considerado o início de uma tradição jundiaiense. Fundado em 1994 por Erazê Martinho, tinha como objetivo reviver os antigos carnavais de rua, resgatando sua principal característica: a de ser uma festa popular. Nas palavras de Ana Regina Borges Silva, a primeira rainha do bloco: “Como deve ser um bloco de carnaval. Do povo e para o povo. Sem cordão de isolamento, sem regras, sem normas e regimentos. Alegria pura e simples” (BORGES SILVA apud NOGUEIRA).

Segundo Carmen Nogueira, refoguense e administradora da página do bloco no Facebook, o fundador Erazê Martinho – que já havia integrado o Estamos na Nossa e a Banda da Ponte –, não se conformou com a dissolução dos blocos tradicionais de Carnaval de rua em 1990. Foi dentro da premissa de irreverência e independência que Erazê concebeu o novo bloco, cuja criação recebeu o apoio dos colaboradores Carla Scarparo, Beth Giasseti e Tutu Miranda Duarte. Segundo Tutu, o nome do bloco homenageia “a mistura de cheiros e aromas que vinham da cozinha da Diva, nos fundos do Sandi”, um bar de propriedade de Sandra e Diva (DUARTE apud NOGUEIRA).

Porém, apesar de ter sido influenciado por sua passagem em outros blocos, Erazê criou um bloco de rua único. Segundo Gisela Vieira, diretora do Refogado do Sandi desde 2007, o bloco “[…] traz essas influências, mas tem personalidade própria. Não é bairrista, já que o Erazê traz o Refogado para desfilar no centro da cidade de Jundiaí, dando a ele essa característica de não ser de um ou de outro bairro: o Refogado é para todos nós” (VIEIRA, 2015).

A música foi composta pelo próprio fundador do clube, e as fantasias – desenhadas pelo arquiteto Araken Martinho – resgatavam famosos personagens do carnaval popular, como o arlequim, a colombina, o pierrô, a baiana e o palhaço.

Os interessados em participar do bloco também poderiam encarnar algum personagem, mas o uso de fantasias nunca foi obrigatório: os foliões poderiam simplesmente acompanhar o Refogado do Sandi com a roupa que estivessem vestindo, característica que permanece até hoje (NOGUEIRA). “O bloco não é elitizado, é aberto para todo mundo.

Não tem cordão de isolamento e não tem obrigatoriedade de fantasia, acredite se quiser, porque você vê no desfile do Refogado 90% das pessoas […] ou mais fantasiadas. Elas fazem a fantasia exclusivamente para sair no Refogado e, embora não exista nenhuma obrigação de se fazer isso, é feito pelo carinho e pelo respeito que elas têm pelo bloco” (VIEIRA, 2015). Todos os anos são homenageadas personalidades de Jundiaí para além do afeto dos organizadores do bloco, sendo elas notórias ou não.

Em 30 de janeiro de 1994 foi publicada no Jornal de Jundiaí a primeira notícia da história do bloco, registrando imagens no Bar do Sandi e convidando a população a participar do carnaval. O primeiro desfile se realizou no dia 11 de fevereiro de 1994, quando o bloco se reuniu em frente à Câmara Municipal e seguiu pelas ruas Barão de Jundiaí e do Rosário: os foliões seguiram pelas ruas do centro em uma grande festa, acompanhando a banda Sanjoanense (NOGUEIRA). No ano seguinte, o bloco saiu da loja de moda de Tutu Miranda, localizada na esquina da rua Barão de Jundiaí com a rua Secundino Veiga. Finalmente, em 1996, o ponto de partida do Refogado se consolidou em frente ao Gabinete de Leitura Rui Barbosa, ali permanecendo até hoje. Desde então, há 21 anos, o Refogado do Sandi consolidou-se como um bloco tradicional na cidade, concentrando-se no Gabinete de Leitura Rui Barbosa e desfilando pelas ruas do centro de Jundiaí, sempre às sextas-feiras que antecedem o carnaval, às 16h.

“O bloco hoje não é mais da cidade, o bloco hoje é do aglomerado urbano” (MESQUITA, 2015 apud VIEIRA, 2015), afirma a jornalista Sumara Mesquita sobre a abrangência e a importância atuais do Refogado do Sandi, que vem atraindo um público anual de aproximadamente 20 mil pessoas. Além de fomentar o comércio local, o bloco carnavalesco prova-se patrimônio imaterial ao trazer foliões de todas as idades, não só de Jundiaí, mas também das cidades vizinhas.

É importante ressaltar que, em 2016, o bloco carnavalesco de rua Refogado do Sandi completará seu 22º ano de atividade. “São 22 anos de existência, momento em que o Refogado quebra o recorde de longevidade. Não existiu nenhum bloco de Carnaval, nem o Estamos na Nossa, que esteve ativo por mais tempo que o Refogado do Sandi”, afirma a diretora do bloco (VIEIRA, 2015).